O que será uma vida com cara de domingo? Bem, no domingo ninguém trabalha quase, os estabelecimentos todos encontram-se fechados, ou seja, somos obrigados a ficar em casa na maioria das vezes, não se vende, ninguém compra. Nem os senhores das televisões se dão ao trabalho de programar umas boas horas de entretenimento porque eles, que deveriam salvar o nosso domingo, sacrificam-nos com filmes entediantes de um cão que joga futebol ou um miúdo gordo que acha ter o maior dos problemas do mundo, por não ser popular na escolinha. Há aqueles filmes de acção típicos, exagerados na sua maioria, filmes «burros» como já ouvi alguém dizer. Eh, domingo também é dia de fome, e para muitos o dia das enxaquecas. Para mim, tamanha é a indisposição, fico em casa mesmo.
Estando resumidas as problemáticas do domingo, vamos transportar todas essas sensações no dia a dia, por exemplo numa quarta-feira. Imaginem, o que é acordar e pensar: Lord! mais um dia como o outro. Culpa nossa digo eu, ir à escola e presenciar a chatice da professora insinuar-se para o professor e só ele não dar conta, os mesmos casais de sempre de mãos dadas, e com manifestações públicas de chegar a dar nojo, ou após recusar vários pedidos, aceitar de uma vez ir à esquina tomar um café com os supostos colegas de faculdade, sentir o amargo do café na tua boca, a quentura do mesmo na garganta, os ouvidos anestesiados das conversas e piadas desinteressantes. E lá me vejo no café numa quinta, numa sexta, numa segunda, numa terça. Litros de Delta café no meu estômago angolano de 18 anos acostumado à refrigerantes com os amiguinhos. Nós somos o que comemos, será motivo para concluir que estou a ficar amarga? Não creio. (risos)
Planos para ver resolvida/melhorada a situação: Deixar de reclamar tanto da vida. Tomar menos café, porque eu não gosto daquilo, repito, a culpa é da cafeína.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O perfume
Uma vez provado o sabor da desilusão, da impotência perante a morte, tem-se a vida reduzida à um passado feliz guardado na memória. Um sofrimento que sobreviverá sempre.
O punhal que a vida cravara-lhe no peito, ainda jorra sangue. A ferida aberta do amor deixado pela trás. Do que foi planeado e no passado ficou. Não te tenho aqui, não te terei - pensa ele - Mas quero-te, desejo guardar comigo a fragrância do amor. O perfume mais perfeito alguma vez feito. Da combinação de pétalas de cumplicidade e do cálice da paixão eterna, extraídos da flor da jovialidade que nos permite sonhar sem inibições. Fizera planos, sonhara demais e entregou-se de alma à um amor. A certeza do que a vida nos reserva é tal igual à da morte. Continuar não é opcional, ter esperanças é a matéria-prima da sobrevivência.
Em memória guarda-se o tal perfume, próximo à dor e à ferida invisível que não se cura. A fragrância que só os amantes sentiram.
E tão pequena quanto a gota de lágrima que lhe escorre o rosto, surge-lhe uma alegria momentânea e liberta um sorriso opaco - Eu vivi, sonhei e fui muito feliz - reconheceu o gosto da sorte que tivera, agridoce, mas tivera.
Por: Marinela Gomes
Inspirado no filme : O perfume
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