Pouco parece fazer sentido. Passei a fugir de responsabilidades e exigências e de certa forma de expectativas, afim de evitar e afastar as experiências traumáticas. Há esses dias. Como muitas vezes relatei aqui. Que no mundo nada parece interessante e mais confortante do que o silêncio das paredes quadradas do meu quarto, com a cama desfeita à minha direita, e mais importante, algo para comer. Enquanto inflamo e encho as paredes gástricas com qualquer coisa doce, oiço o bater dos teclados me perguntando onde, porquê e como vou terminar este texto. Quis apenas escrever, precisava, na tentativa de procurar o auto-conforto nas minhas próprias palavras. Mas nem isso, hoje funcionou.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
Eu queria voltar a criar...
Queria me permitir outra vez usar da ousadia e sobrevoar por encima da imaginária linha da realidade. Queria ser imóvel. Surda. E outra vez muda. Para que os estorvos resultantes da convivência humana não me afectassem como me afectam. Queria acreditar que sempre tudo seria fácil e perfeito. Que acabaria conforme as minhas apostas. E então, nunca seria pega de surpresa.
Queria criar. Isso se o meu íntimo não estivesse em fase de ebulição. Disposto a transbordar. Saturado... Pelas palavras que ouvi e não queria. Pelos planos que tracei e não cumpri. Pelas quedas resultantes da minha ingenuidade. Pela minha inexperiência. Meu medo de arriscar.
Não me saem palavras de encanto. Tampouco consigo escrever uma poesia. Não estou para isso. Talvez não agora. Não é o momento.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
O tempo não perdoa as consequências
''Despeço-me,
após muitos anos. Desfaço os nossos laços, após muitas estações. Desprendo-me
da necessidade de revirar o nosso baú sempre que as memórias visitam a minha mente.
Partiste deixando no ar o teu perfume. Porque? Porque deixaste lembranças? Quem
parte com convicção não deixa para trás trechos que o fariam voltar.
Inquietas-me porque não sei para que direcção caminhar. Vou à esquerda e
deparo-me com o futuro. Um futuro com novas oportunidades profissionais e/ou
amorosas. Vou à direita e vejo a minha paixão artística: a escrita. Vejo
crianças com sede de aprender a ler para assim saborearem os contos de fada sem
a ajuda de um adulto. Mas, tenho uma história inacabada que impede-me de
progredir. Mantenho-me estática na indecisão sobre a tua volta.
Teu
olhar sobre mim era único. Ensinaste-me a observar antes de falar. Levei tempo
a aprender pois gostava de irritar-te com as minhas brincadeiras fora de hora. Elogiavas
detalhes que eu não notava em mim: o meu sorriso bobo, a forma do meu queixo e
o meu gingado. ‘’Mon amour Louis’’, tal como eu te chamava. Tinhamos planos de
ir à Paris viver momentos parecidos com os romances de Shakespeare. Mas,
partiste sem disfarce. Te apaixonaste por uma outra mulher e te deixaste levar
pelas ilusões. O tempo, com o seu poder certeiro, trouxe-te ao arrependimento mas
já muito tarde.''
Aos 15 de Agosto de 1856
Para: Minha Eterna Yolanda
'' Encontrar-te-ei...
Em algum lugar, algum canto
deste mundo, porque alguma memória, ainda que pequena em ti restou. Não me
condenes, meu tão fiel e crente espírito prefere viver pela fé.
Um dia… Algum dia, mesmo
que surgido do acaso irei fitar-te novamente no profundo dos teus olhos negros
e chorarei novamente todas as lágrimas que guardei petrificadas no meu peito.
Eterna és...
Doce, gentil, meiga,
mulher, menina...
Luz é o teu sobrenome!
Morte é o preço do meu
corpo entregue e condenado à depender de ti
Penaliza-me em não mais
viver, mas não penaliza-me de viver sem ti
Pois todo anoitecer, sinto
a lua zombar de mim...
Recordando os amores
perdidos, despertando as paixões impossíveis
Pela fé eu vivo, e em algum
canto, algum lugar, um momento, um segundo
Voltarás para mim
O peso de uma palavra dita
comparada ao feito nada serve..
Mas ainda assim.. Perdoa-me! ''
Aos 27 de Agosto de 1856
Subscrever:
Mensagens (Atom)

